A lua abandonou o céu em novidades
A boa nova? A ausência.
Aquela que percebemos quando mais precisamos de luz.
É o exercício das fases.
Entrego-me cheia para satisfazer-te a curiosidade.
Mínguo em filete para que percebas a minha capacidade de múltiplas formas.
Cresço obscura, para que não se esqueças da minha total entrega.
E nova me faço ausente para que sintas falta de mim e exercite seu próprio brilho.
Lá estava ela,
sentada na beirada da manhã, nas margens de um rio que transitava calmo. Seus
pés tocavam respingos d’água. Cabelos curtos, sorriso tímido, olhar brumoso,
mente quieta. O rio descia sinuoso por entre o vale. Montanhas escarpadas de
puro charme contrastando com o céu nebuloso. Que horas eram? Não sabia. A
certeza se fazia dia. Minutos vazios arremessando significados vagos.
Adormecida em
mim, vi - com os olhos dela - a valsa de despedida de uma manhã quase
perdida. Sonho. Naquele tapete
verdejante desabrochado em flor, quase ia perdendo o instante, a transição. O
meio, devaneio do dia, almoço na mesa e a certeza de uma tarde anunciada pelos
sinos da igreja.
E o tempo
passava assim... Fim de tarde carmim. Quase sempre o sol descortinava as nuvens
e se exibia pleno, sangrando. Eu o fitava com o olhar distante, coração aberto,
desejando que a noite se ornamentasse com a lua amadurecida, curiosamente cheia
de si, transbordante de mim. Tão altiva no azul escuro do céu eu a via
percorrer distâncias e expunha, para ninguém, as reentrâncias do meu eu...
Pequeno como uma estrela de brilho quase extinto. Um grão de areia.
-Mila Viegas-
-Mila Viegas-
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